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O que fazer em Santiago: o roteiro do meu mochilão

O roteiro Santiago demorou… Mas finalmente saiu! 

Santiago na primavera traz programas para todos os gostos. Ainda tem um pouquinho de neve no Vale Nevado, mas tem também um sol morno para quem quer aproveitar os pontos turísticos da cidade enquanto aprecia um céu azul. Nos arredores, uma cordilheira gelada é visível quase que o tempo inteiro, e as chuvas ainda estão longe de chegar. Mochilar por Santiago na estação das flores foi assim: calmo, ensolarado, colorido e ideal para provar todas as particularidades chilenas.

Dia 1: Chegada em Santiago

Saindo de Guarulhos após o almoço, a chegada em Santiago foi fácil. Na saída da imigração, troquei alguns pesos para chegar até o hostel (jamais troque muito dinheiro no aeroporto, a cotação é bem infeliz). Fiquei levemente desesperada ao ver o ônibus da TurBus saindo da plataforma. Conversando com um funcionário, soube que saem ônibus a cada 20 minutos, então era só esperar o próximo.

Os ônibus da TurBus saem do piso térreo do lado de fora do aeroporto, bem como os da Centropuerto (com horários e preços similares). Eles param nas estações de metrô, então é só escolher a que fica mais próxima da sua hospedagem. Também existem algumas minivans de transfer disponíveis (um pouco mais caras). Elas costumam deixar o passageiro em frente ou na esquina do seu hotel/hostel, então é só indicar o endereço ao motorista.

Dividi minha estadia em Santiago em dois hostels, e o primeiro que fiquei foi o Hostel de La Barra. Consegui um quarto feminino de última hora, mas os quartos compartilhados mistos também são grandes e a decoração do lugar é incrível! (E conta até com um manual de como reagir em casos de abalos sísmicos – por um chileno, já que eles estão super acostumados com as tremedeiras).

Como já estava um pouco tarde, jantei um sanduíche de frango (!) na rua de trás do hostel e voltei para tomar banho e dormir, porque no dia seguinte partiria para uma walking tour por Santiago.

Dia 2: Free Walking Tour em Santiago

Terraza Neptuno – Cerro Santa Lucía

O segundo dia foi reservado para conhecer alguns dos pontos turísticos tradicionais, com isso, comecei pelo Cerro Santa Lucía, um lugar que estava ansiosa para conhecer e era do lado (literalmente) do hostel que estava.

Com 70 metros de altura, o Cerro é um parque que fica no centro da cidade (ao lado da Avenida Bernardo O’Higgins) e é cheio de história. Sua formação geográfica sempre existiu da forma como é hoje, tendo sido nomeado como Santa Lucía pelo conquistados espanhol Pedro de Valdívia em 1540, em homenagem à santa das Igrejas Católica, Anglicana, Luterana e Ortodoa. Foi aos pés do Santa Lucía que o conquistador fundou oficialmente Santiago, em 1541.

Logo no início da visita, é possível admirar a Terraza Neptuno, o Castelo Hidalgo e as estátuas indígenas. Subindo um pouco mais, chega-se ao mirante do topo do morro (haja fôlego), para visualizar a incrível Santiago do alto. É impossível não se apaixonar por essa vista!
Aproveite para tomar o incrível mote con huesillos, bebida típica chilena feita com pêssego (huesillos), água, canela e trigo descascado e cozido. Mas pensa em um negócio doce!

Mote con huesillos
Mote con huesillos

É no Santa Lucía que acontece o Ñam, um dos eventos culinários mais importantes da América Latina, no qual vendem-se alimentos orgânicos, artesanais e eventos ligados a cozinha, bem como cursos de culinária e restaurantes típicos.

A entrada para o Cerro é franca, e lá existe um centro de informações turísticas e uma loja de produtos indígenas e típicos do Chile (como produtos de lápis-lázuli, pedra originalmente encontrada no Chile).

Saindo do Cerro, fui caminhando até Paris-Londres, o famoso bairro cujo estilo arquitetônico é puramente europeu, incluindo as ruas estreitas e ladrilhadas. Destaque aqui para a casa que fica na rua Londres, número 38, que foi usava como centro de detenção e tortura durante a ditadura de Pinochet. No chão, alguns ladrilhos têm os nomes dos jovens que morreram ali, bem como pichações na porta da casa das mães que ficaram sem seus filhos.

“Aqui torturaram meu filho” – Escrito por uma das mães dos jovens que morreram torturados na casa.

Hora de ir ao centro histórico. Começando pelo Palacio de La Moneda, que é o palácio presidencial do Chile, cheio de esculturas de artistas chilenos e salões tradicionais. Na minha opinião, o prédio mais bonito de Santiago. Acontece que, a cada dois dias, tem a cerimônia de troca de guarda, às 10 da manhã durante a semana e às 11 aos sábados. Interessantíssimo.

Emendando na Plaza das Armas, o marco zero de Santiago, é uma praça com fontes, árvores e muita história. Costuma ser muito utilizada para atividades culturais aos fins de semana, com muitos pintores, cantores e artistas de rua. Na mesma rua, ficam a Catedral Metropolitana, os Bomberos, o Museo Histórico Nacional e o Correio Central.

Plaza das armas, Santiago

Por fim, fui dar uma espiada no Parque Araucano, cheio de jardins, quadras e pista de bicicleta. Funcionando das 6 às 21h, todos os dias, é um bom local para passar um tempo perto da natureza, já que em seu entorno, têm muitos bares e restaurantes, além da estação de metrô.

Aproveitei para jantar em Lastarría (que ficava atrás do meu hostel), com uma americana que conheci nas andanças do dia. Já que estávamos no clima típico, jantamos algumas empanadas e um prato que constantemente me dá vontade de comer, o crab avocado tower, que é uma mistura de abacate, caranquejo e uma pastinha com tomates. Para beber, o indiscutivelmente chileno pisco sour, que eu achei bem fortinho… (Prefiro piscola!)

Santiago roteiro, comida peruana
Meu jantar preferido da viagem.

Dia 3: Bate e volta em Valparaíso e Viña del Mar

Viña del mar
Vista de Viña.

Acordei bem cedinho no terceiro dia, já que havia combinado com o pessoal do hostel de partir rumo ao litoral chileno para conhecer o tão esperado Oceano Pacífico. A primeira parada, no meio do caminho, foi em Cucaraví, povoado chileno famoso pelas chichas, bebida fermentada produzida pelos povos indígenas da Cordilheira dos Andes, bem como a empanada chilena de carne com cebola caramelizada.

O lugarzinho, chamado Los Hornitos de Cucaravi, tinha uma decoração bem bonitinha e um monte de comidas e bebidas típicas, todos a venda em embalagens muito charmosas.

Roteiro - Santiago chicha

Roteiro - Santiago chicha

Chegando no litoral, a primeira coisa que me fascinou foi um mirante em Viña. De lá, a visão da praia dava a entender que céu e mar eram um só, por isso eu passaria dias inteiros olhando aquilo.

Queria dar uma espiada no famoso Reloj de Flores, mas só deu para tirar uma simples foto, já que o lugar estava lotado.

Pausa para os pequenos grandes momentos: almoçamos em um terraço panorâmico de frente para o mar, admirando todo o charme primaveril do Chile.

Santiago roteiro
Relój de Flores
Santiago roteiro
Almoço em Viña del Mar

Finalizado o almoço, descemos para a praia. Pensa num marzinho gelado! O vento da praia era frio, e alguns turistas se aventuravam a entrar no mar e usar seus trajes de banho. Nós só tiramos fotos e ficamos um tempo sentados na areia.

Santiago roteiro, Viña del Mar
Conhecendo o oceano pacífico (mais fotos no instagram do blog).

Pé na estrada, seguimos para a surpreendente Valparaíso. Deparando-se com o caos da cidade, o susto é inevitável, mas não dá pra não amar Valpo. O cheiro de mar, os lugares peculiares, os restaurantes diferenciados. Uma paradinha rápida em La Sebastiana, casa do Pablo Neruda.

Santiago roteiro, La Sebastiana
Vento.

Eu não sou muito fã de ficar indo em museus, contudo, la Sebastiana me surpreendeu, como tudo em Valpo. A vista era incrível, a casa tem cinco andares, cheios de relíquias e panoramas inusitados da cidade. Não se pode fotografar nada dentro da casa, mas as fotos do lado de fora já são incríveis por si só.  Vale salientar que TODOS os ambientes proporcionam vista para a baía.

Voltando a Santiago, tomei umas cervejas no El Diablito, bar e restaurante com uma cartela de cervejas muito diferente. Enfim, estiquei um pouco a noite no Club 57, balada da Bellavista.

Dia 4: Preguiça e festival de vinho

Depois da noitada do dia anterior, aproveitei o dia seguinte para andar pelo bairro e conhecer uma cafeteria dos arredores. Estava um frio danado, por isso a empanada de carne caiu como luva. No fim da tarde, voltei para o hostel e fiquei nas áreas comuns conversando com o pessoal e tocando violão.

Destaque para o manual sísmico para estrangeiros, que fazia parte da decoração do La Barra.

Manual para abalo sísmicos

A noite, fui ao Bocanariz. Não tenho costume de ir a restaurantes caros quando viajo, mas topei ir neste com a americana que estava no meu hostel. O lugar é pequeno e tem sua própria adega, que também pudemos visitar. Fica na Lastarria, e a decoração é bem bonitinha. O mais legal, na minha opinião, é o festival de vinhos. Você escolhe seu tipo de vinho preferido e chegam várias taças para degustação. Para os amantes de vinho, este é o lugar.

Santiago roteiro, Bocanariz
Parte do festival de vinhos do restaurante.
Santiago roteiro, bocanariz
Decoração incrível do Bocanariz.

Voltei ao hostel e, gastando o equivalente a dois reais cada pessoa, compramos um galão de dois litros de vinho barato. Passamos a noite bebendo e ouvindo música. Tudo na programação normal.

Dia 5: Cerro San Cristóbal

Santiago roteiro, San Cristóbal

Dia de subir o tão incrível Cerro San Cristóbal. A novidade do dia foi a vista da Cordilheira, que estava escondida pela neblina. Pude finalmente admirar a imponência das montanhas, que ainda estavam salpicadas pela neve do recém-passado inverno.

Bem perto da Estação Baquedano do metrô está o Cerro: basta atravessar a Plaza Italia, caminhar até o final da Pio Nono e pronto. Dá para subir via funicular, teleférico ou a pé. Demos o azar de ir bem no dia que funicular e teleférico estavam em manutenção, então tivemos que subir a pé. Haja perna (e fôlego)!

Você pode conferir horários e preços do funicular e do teleférico no site do ParqueMet.

A vista é, de quebra, a melhor que eu tive de Santiago.

Santiago roteiro, San Cristobal
Vista do Cerro San Cristóbal. Ainda não havíamos chegado ao topo.

Na descida, dei uma passeada no Pátio Bellavista – um shopping cheio de opções de restaurantes (como por exemplo o famoso Água para Chocolate). No entanto, acabei voltando para o hostel para jantar por lá, já que no dia seguinte eu iria para outro hostel.

Mochilão da vida real: mais uma noite regada a vinho barato, já que no Chile, o equivalente a dez reais vale dois litros de Santa Helena!

Dia 6: Mudança, Costanera Center, Halloween

No dia seguinte fui para outro hostel, porque uns amigos meus do Rio de Janeiro chegaram em Santiago e estavam lá. O Chile Pepper é um hostel charmosinho, perto da estação Santa Isabel. Os espaços comuns são maravilhosos, cujas atrações contam com mesa de sinuca, área livre e uma sala gigante com sofás aconchegantes e uma TV.

Santiago roteiro, chile pepper
Sala do Chile Pepper

Com meus amigos, fui ao Costanera Center, um dos maiores shoppings de Santiago e o maior edifício da América Latina. Ele conta com um observatório, o Sky Costanera, mirante 360 graus que fica no 62º andar do prédio. A vista do lugar é tida como a mais bonita de toda a cidade. Dica: fique para o pôr-do-sol.

Santiago roteiro, sky costanera
Vista do Sky Costanera

(Pra ser sincera, não lembro muito bem o que fiz na noite desse dia. Lembro que tinha uma festa de Halloween – que os chilenos supreendentemente comemoram com direito a fantasia e tudo -, tinha muita piscola e muita música eletrônica. Mas só lembro disso mesmo, rs)

Dia 7: Cajón del Maipo e Embalse el Yeso

Santiago roteiro, cajon del maipo

No que diz respeito a beleza de lugares, o Cajón del Maipo é indiscutivelmente o detentor principal do assunto. O passeio dura o dia inteiro, motivo pelo qual saímos bem cedo do hostel.

Cajón del Maipo é o nome do pequeno vilarejo ao sudeste de Santiago, sendo San Jose del Maipo sua cidade principal. Embalse el Yeso, por sua vez, é uma represa de tonalidade azul turqueza cercado pela cordilheira. Isso dá um show de paisagem diferente a cada estação.

Por lá, fizemos paradas em alguns pontos específicos do caminho: Puente El Toyo, Tunel Tinoco, Mirador Valle e alguns outros. Dá para fazer este passeio por conta (alugando um bom carro, já que dependendo da época do ano, a estrada fica um pouco complicada) e com agências. Ambos são recomendados dependendo da sua preferência de passeio.

Santiago roteiro, embalse el yeso
Embalse el Yeso. Já quero voltar no verão!

Santiago roteiro, embalse el yeso

Neste dia, cheguei só o pó no hostel e dormi feito criança. No dia seguinte, partiria rumo ao Deserto do Atacama, mas isso já é assunto para outro post, não?

Este é o primeiro post da série de informações sobre Santiago. Fique ligado para mais detalhes como hospedagem, lugares para comer, vida noturna, transporte e muito mais.

Está planejando sua viagem para Santiago? Dá uma olhada nas minhas dicas de planejamento!
Obs: não esqueça do Seguro Viagem… Vai que dá um perrengue, né?!

Beijo!

Vitória Cabral

Adepta da mochila e da liberdade simplesmente porque viajar é muito mais que algo para se fazer nas férias. Viajar é vivência, experiência, cultura e estilo de vida.

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